Peanut butter jelly time!

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Essa sobremesa foi uma criação da louca nossa cabeça, uma mistura de parfait com milkshake que talvez na prática não dê certo e só fique na imaginação (e na ilustração).

O parfait dos sonhos

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O parfait pode ser várias coisas dependendo do país, mas para Nana o parfait dos sonhos é aquele comum no Japão: um copo alto com várias delícias, incluindo sorvete, que enche o coração de alegria!
E ela ficou tão emocionada quando comeu um desses no Japão que não tinha como não inventar um em sua homenagem!

Socorro, meu bolo ficou ruim! E agora?

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Nana foi fazer bolo (de novo), porque estava com vontade (de novo).

Ela estava com pressa e eu entendo, porque quando queremos bolo, queremos agora!

Nana pegou uma receita minha antiga, que já conhecia há tempos. Ela colocou as xícaras de farinha no olhômetro e usou ovo gelado mesmo. Como não tinha manteiga,  ela usou margarina com sal e tirou o sal da receita. Quando a massa ficou pronta, ela percebeu que não pré-aqueceu o forno.
E ficou lá, com o bolo cru, esperando o forno atingir a temperatura certa.

A pressa não levou a nada, o bolo ficou horrível. Não cresceu, ficou duro e com um gosto péssimo. Mas poxa, é a receita que usei mil vezes antes, o que aconteceu? É por causa da chuva?

Não, não é. E olhando pra trás fica fácil de decifrar os erros, né?

Apesar de não parecer, faz muita diferença usar ovo gelado ou em temperatura ambiente e dependendo da receita isso pode afetar o produto final. E isso vale também pra manteiga!
Então, por padrão, use o ovo em temperatura ambiente. Precisa dele agora e esqueceu de tirar da geladeira? Não tem problema, coloque-o em uma vasilha, cubra-o com água da torneira e coloque meio copo de água quente. Espere uns minutinhos e tá pronto!

Pesar os ingredientes no lugar de medir em xícaras também ajuda a manter o padrão da receita. Uma xícara é diferente da outra e um dia enchemos mais, outros dias menos. Isso pode chegar a uns 50g de diferença ou se bobear, até mais! Agora imagina um bolo com 50g a menos de farinha, 60g a mais de açúcar e por aí vai…. Cada fornada vai dar um bolo diferente.

A margarina não se comporta da mesma maneira que a manteiga, então não é muito recomendado trocar uma pela outra. E o mais importante, sempre usar as versões sem sal, a não ser que a receita peça com. A quantidade de sal varia de acordo com a marca, então uma manteiga Aviação pode ter mais sal que a Itambé. Em uma receita, é muito mais garantido medir o sal separadamente.

Quando a massa de bolo leva fermento, não tem muito problema deixá-la crua na geladeira ou a temperatura ambiente por um tempo, porque além de reagir com o líquido, ela também reage com o calor do forno para criar as bolhas de ar, deixando o bolo fofinho.

Mas se a receita pede bicarbonato de sódio, precisamos colocar a massa no forno assim que a despejamos na forma. Por quê?

Se tem bicarbonato na receita, é muito provável que tenha um ácido (tipo, vinagre, iogurte, cremor tártaro) também, para que os dois reajam e atuem como o fermento.

Só que esse processo é instantâneo, então quanto mais demoramos para colocar o bolo no forno, mais essas bolhas sobem para a superfície da massa e vão embora, deixando-o duro.

Dizem que só errando que acertamos e Nana aprendeu sua lição.

Pré-aquecer o forno antes de mais nada, preparar os ingredientes com antecedência para termos certeza de que nada está faltando, tirar a manteiga e ovos da geladeira e medir direito os ingredientes. E não há recompensa melhor do que um bolo cheiroso, macio e gostoso nos esperando!

Esse texto foi originalmente publicado no HuffPost Brasil, mas a Nana não se contentou com o texto e pediu algumas alterações. Dito e feito.

A tragédia do chantilly (ou o milagre da manteiga)

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Nana decidiu fazer um bolo recheado com cobertura de chantilly para celebrar seu aniversário.
Para economizar tempo, ela deixou o creme de leite fresco com o açúcar e a baunilha batendo na batedeira enquanto montava o bolo.
Concentrada, Nana perdeu a noção do tempo e quando foi ver, o chantilly que deveria ser um creme aveludado, leve e lindo tinha se tornado o oposto: uma massa empelotada e gordurosa, nadando em uma piscina de líquido branco.

Nana puxou seus cabelos (imaginários) e gritou para os céus, frustrada pelo tempo perdido e pelo precioso dinheirinho gasto em uma garrafa de creme de leite.

Mal sabia ela que isso não foi um erro e sim um milagre, descoberto há milhares de anos atrás e que faz parte da nossa dieta diária.

A manteiga!!!

De acordo com Harold McGee, o poeta irlandês Seamus Heaney uma vez escreveu sobre esse ingrediente mágico e o chamou de “luz do sol coagulada”. Feio, né? Mas é graças ao sol que as gramas crescem verdes e férteis, que por sua vez servem de alimento para as vacas que processam esses nutrientes e os transformam no leite.

O creme de leite é a parte mais gordurosa do leite, portanto se tirarmos o leite fresquinho da vaca e o deixarmos repousar de 12 a 24 horas, os glóbulos de gordura se aglomeram e por serem menos densos, eles sobem para a superfície do líquido, produzindo o glorioso creme de leite.
Ah, vale mencionar que não conseguimos fazer o mesmo com o leite de supermercado, pois todos os leites industriais passam por um processo de homogeneização, deixando as moléculas de gordura tão pequenas que dificulta essa aglomeração.

E afinal, como o chantilly se forma?

O creme de leite é a parte mais gorda do leite, sendo mais espesso, encorpado e com muito mais gordura (duh).
Os glóbulos de gordura presentes no creme de leite são protegidos por uma membrana, enquanto que as demais moléculas de água, proteína e carboidratos ficam livres, leves e soltas no líquido.
Quando batemos o creme de leite, essa membrana se desgasta e liberta as moléculas de gordura.
Elas são hidrofóbicas, ou seja, odeiam a água e querem ficar longe dela.
Nesse caso, só existem duas maneiras de fugir da água: uma é grudar em outra molécula de gordura e a outra é grudar na bolha de ar que está sendo incorporada à medida que batemos o creme de leite.
Com isso, elas formam várias redes de moléculas de gordura que protegem e seguram as bolhas de ar no lugar, dando mais estrutura pro líquido e formando o chantilly que conhecemos!

E por que o creme de leite talha se for batido por muito tempo?

Quando batemos o creme de leite e as cadeias de gorduras são liberadas, elas vão se unindo gradualmente e quanto mais agitarmos as moléculas mais elas se juntam e expelem a água, proteínas e carboidratos que estão entre elas.
Essa transformação passa a ser visível aos nossos olhos quando passamos do ponto de chantilly e vemos a massa de gordura se formando e se separando do líquido. Lembra que óleo e água não se misturam? Nesse caso é a mesma coisa.

O sólido é a manteiga na sua mais pura forma. E o líquido? Lá fora ele é conhecido como buttermilk, ou leitelho em português. Ele é levemente ácido e mais leve que o leite, portanto é um ótimo líquido para deixar seus bolos, panquecas e afins mais levinhos.

Mas voltando ao nosso problema inicial, como consertar um chantilly que talhou? Bem, se ele chegou ao ponto de manteiga, não há muito que possa se fazer a respeito, principalmente se ele já estiver adoçado e aromatizado.

Para os aventureiros e corajosos, pode-se tentar fazer uma cobertura à base de manteiga – buttercream – a partir desse resultado, mas seria necessário fazer algumas alterações na receita original, como diminuir a quantidade de açúcar e omitir a baunilha, se ela já estiver inclusa na manteiga.

Se você perceber que seu chantilly está ficando com um aspecto granulado, pare a batedeira e reze pra ter sobrando um restinho de creme de leite no fundo da garrafa. Junte uma a duas colheres de sopa dele gelado na mistura e bata à mão com um batedor de arame, bem de leve. Ele deve voltar a ficar fofinho e aveludado!

Para eliminar qualquer chance de desperdício, recomendo bater o creme de leite sozinho e só depois adicionar o açúcar e a baunilha, misturando delicadamente com uma espátula para que em caso de acidentes você pelo menos termine com uma linda manteiga para te consolar.

Esse texto foi originalmente publicado no HuffPost Brasil, mas a Nana não se contentou com o texto e pediu algumas alterações. Dito e feito.